Serenidade no amor

 

O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim – que é dor – complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância.
Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes.
A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura.
Às vezes é preciso recolher-se.

Lya Luft

E é assim que me sinto… Serenamente serena pra amar com mais docilidade.

Que venha com a sabedoria da maturidade… Tranquilo, sincero e verdadeiro!

E como diria o Almir Sater…

 ♫… Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais… ♫

 ♥

 

Entender… Sei que nada sei!

 

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.

Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito.

O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector

A idéia é fascinante, até porque há horas que penso ser preferível não entender… Quem não vê além sofre menos, se angustia menos ainda e por conseguinte deve ser mais feliz… Não sei se há veracidade nisso, mas que deve se viver mais light, ah isso deve!

E como Lispector bem disse, não entender pode não ter fronteiras… E eu cansei de viver nos limites! Quero ir além, mesmo que pra isso eu precise não entender e ultrapassar todas e quaisquer fronteiras…

E se for pra entender, que seja um tiquinho de nada…

Tempo de Travessia

 

Alguém já disse, e não me recordo quem seja, que há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.

E que esse tempo, é o tempo da travessia. E que devemos ousar em fazê-la, pois do contrário iremos ficar, para sempre, à margem de nós mesmos.

Creio ser hoje o meu dia de atravessar… Partir sem olhar pra trás. Seguir sem olhar pra frente… Um passo de cada vez! Nem passado, nem futuro. Apenas o presente… Vida!

O tempo me ensinou… E cada vez mais!

Vivo aprendendo e sigo cantando… Por sinal, tem uma música da Ana Carolina que penso retratar muito bom como me sinto…

 

“…Não vou viver como alguém que só espera um novo amor

Há outras coisas no caminho aonde eu vou

Às vezes ando só, trocando passos com a solidão

Momentos que são meus e que não abro mão…”

 

E hoje, ao completar 55 anos posso dizer que…

 

“…Já sei olhar o rio por onde a vida passa

Sem me precipitar e nem perder a hora

Escuto no silêncio que há em mim e basta

Outro tempo começou pra mim agora…”

 

 Na certeza desse novo tempo, só me resta agradecer… Brigadinhu, Senhor, pelo dom da vida! 

Muito além das estrelas…

 

O amor é a razão de ser e de viver de todos nós. Mas enquanto ele não me arrebata, vou aos céus em busca de estrelas que me façam sonhar… Catar estrelas não só acalenta a alma, como faz renascer esperanças de sonhos realizáveis.

E como dizia Drummond, conjuguemos o verbo amar, sempreamar, pluriamar… Mui belo, belíssimo!

Um pedacinho a mais pra vocês… Sintam o que nos diz o poeta:

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade   

Um dia de outono…

Está fazendo um dia lindo de outono.

A praia estava cheia de um vento bom, de uma liberdade. E eu estava só. E naqueles momentos não precisava de ninguém.

Preciso aprender a não precisar de ninguém. É difícil, porque preciso repartir com alguém o que sinto.

O mar estava calmo. Eu também. Mas à espreita, em suspeita. Como se essa calma não pudesse durar.

Algo está sempre por acontecer. O imprevisto me fascina.

Clarice Lispector

 * * * ♥ * * *

Há momentos que não precisamos de ninguém, há outros tantos que o que mais desejamos é estar com alguém.

Não um alguém qualquer, mas um que nos aquiete a alma e faça-nos sentir, qual vento bailando nas ondas do mar, como é prazeroso esse vai e vem das ondas… Doce calmaria!

Às vezes preciso de um vento mais forte, daqueles que balançam não só os coqueiros, mas que retorcem até pensamentos… Acorda coração!

Haja sensações… Haja ventos… Haja amor pra nos enlaçar!

Como diria Jobim, doce é sonhar é pensar que você gosta de mim como eu de você

 

O valioso tempo dos maduros


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade…
Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial.

Mário de Andrade

* * * ♥ * * *

É tão perfeito… Há uma sintonia imensa entre o pensar do Mário e o meu ser, que nem tenho muito a dizer. Aplausos…

… Parei na contramão …

Todos nós temos nossas máquinas de tempo.

Algumas nos levam de volta, elas são
chamadas recordações.

Algumas nos levam adiante,

elas são chamadas sonhos.

Jeremy Irons

E se parei na contramão, pra onde estarei sendo levada?

Haja recordações… Haja sonhos!

Prelúdio de uma vida…

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