Solidão… Solitário… Somente?

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Vinicius de Moraes

 Estava aqui me debatendo com as idéias a cerca da maior solidão, mas ela me parece tão grande que não consigo encontrar palavras que me ajudem a por em ordem tantos desalinhos existenciais, quiçá sentimentais…

Há solidão, há solitários, há VIDA, nem que seja a minha, nesse emaranhado, tentando ergue-se do abandono.

E como diria a Lispector e eu corroboro…

Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

Há música e há poesia… Permanece a esperança!

Beijos

esperançosos

Anúncios

Além da janela…

 

Há vida além da janela d’alma… Vivam-na!

Mesmo que o silêncio insista em se instalar…

Esperneie

Sussurre

Grite

Mas não permita!

O mundo não para porque meu coração foi partido

e nem me dá tempo pra que o conserte…

Vou seguindo!

Solidão virtual…

Houve um tempo onde só podíamos conversar com alguém se estivéssemos fisicamente próximos.

Nessa época, havia uma única possibilidade de se iniciar um relacionamento, de se aumentar a rede de amigos, de se fazer contatos profissionais ou sociais: promover encontros, marcar locais, horários para se reunir, para se conhecer.

E se não estivéssemos com alguém, se não houvesse com quem se encontrar, o resultado, muito frequentemente, era a solidão.

O sentir-se sozinho não era, muitas vezes, uma opção, mas uma contingência, fosse por se residir em um local afastado, ou por se ter pouca ou nenhuma opção de um relacionamento familiar ou social.

Porém, desde os fins do século XX, a tecnologia vem transformando nossas relações sociais. Avançando em uma velocidade difícil de acompanhar, vem nos disponibilizando recursos fascinantes.

Desde então, ela quebrou a necessidade de estarmos fisicamente juntos para conversarmos, para ampliar a amizade, para trocar emoções.

Passamos a ter a possibilidade de conversar, trocar mensagens, vídeos, fotos, não importando o local, o horário, a distância, conectando-nos todos a tudo.

Passamos a resgatar amizades que se perderam no tempo, a reencontrar familiares que a distância afastou e refazer relacionamentos que se perderam pelos caminhos.

E ainda, são inúmeros os sites de relacionamento que permitem, não só o reencontro, mas o fazer novas amizades, iniciar novos amores, outros colegas.

Agregamo-nos virtualmente pelo estilo de vida, pelos valores, pelas atividades de lazer, pelo gosto musical.

Passamos a ter centenas ou até milhares de amigos que se agregam às nossas redes de relacionamento, que nos seguem virtualmente.

Passamos a estar cercados, envolvidos com muitas pessoas, o tempo todo.

Poderia se pensar que jamais alguém, agregado nessa rede virtual, poderia se queixar de solidão. Somos tantos, vinculados a tantos outros, que já não haveria espaço para a solidão.

Porém, a alma humana ainda é a mesma. E a tecnologia que nos cerca externamente, nada preenche intimamente.

Somos inúmeros os agregados aos sites e às redes de relacionamento, contudo, tão poucos aqueles que cultivamos afeições que nos preencham as necessidades íntimas.

Passamos a viver e conviver com a solidão virtual. Essa dos que tanto têm virtualmente, mas nada se preocupam em cultivar realmente.

A solidão somente desaparece quando passa a ser substituída pela preocupação com o próximo, pela dedicação ao semelhante, pelo importar-se com o outro.

Assim, não será a tecnologia que nos afastará da solidão. Ela ainda se faz presente, em nosso existir, porque não vivenciamos os valores da solidariedade, da compaixão, da fraternidade.

E, por mais que a tecnologia se desenvolva, por mais recursos nos ofereça, jamais eliminará a solidão de dentro de nós.

Poderá, sim, agregar milhares de nomes em nossas redes de relacionamento. Porém, para preencher as necessidades de nosso coração, para que nele não haja mais espaço para a solidão, necessitamos cultivar a fraternidade, que pode até se iniciar no mundo virtual, mas terá que inevitavelmente, migrar para a realidade das ações de nosso coração.

 

Desconheço a autoria do texto, mas gostei tanto que o estou postando.

Por enquanto sigo vivendo nessa solidão de sempre, por falta de almas que se identifiquem e se solidarizem em busca dos mesmos sonhos… 

Um dia de outono…

Está fazendo um dia lindo de outono.

A praia estava cheia de um vento bom, de uma liberdade. E eu estava só. E naqueles momentos não precisava de ninguém.

Preciso aprender a não precisar de ninguém. É difícil, porque preciso repartir com alguém o que sinto.

O mar estava calmo. Eu também. Mas à espreita, em suspeita. Como se essa calma não pudesse durar.

Algo está sempre por acontecer. O imprevisto me fascina.

Clarice Lispector

 * * * ♥ * * *

Há momentos que não precisamos de ninguém, há outros tantos que o que mais desejamos é estar com alguém.

Não um alguém qualquer, mas um que nos aquiete a alma e faça-nos sentir, qual vento bailando nas ondas do mar, como é prazeroso esse vai e vem das ondas… Doce calmaria!

Às vezes preciso de um vento mais forte, daqueles que balançam não só os coqueiros, mas que retorcem até pensamentos… Acorda coração!

Haja sensações… Haja ventos… Haja amor pra nos enlaçar!

Como diria Jobim, doce é sonhar é pensar que você gosta de mim como eu de você

 

Sentidos… Ou os sem?

E cá estou eu em mais uns dos muitos questionamentos diários… Um fato ocorrido num desses sites de relacionamentos trouxe-me até aqui, mais ávida do que nunca por respostas… E caso não as tenha, valeu pelo exercício de reflexão e pela busca de novas opções de relacionamento.

Qual a importância dos sentidos em nossa vida amorosa? Por que as pessoas gordas são discriminadas, julgadas e condenadas a levar uma vida de solidão? Disseram-me que a visão, olfato, paladar, tudo isso tem a ver com sexo. O tato e a audição, não teriam? Sabe-se lá…

 A verdade é que nós, gordinhos, somos vistos como incapazes de fazer rolar “a tal da química” que rola entre homens e mulheres, levando-os ao doce e sublime estado de letargia de que serão felizes para sempre, pois o sexo os fez uno, deixando-os de ser promessa especulativa de possíveis candidatos a uma vida amorosa plena, tornando-os um casal e felizes para sempre… Ou até que a impotência os separe, claro! Pois em instante algum foi cogitado o amor, mas apenas o sexo gritou como forma primeira e última de todas as coisas que adviriam.

Oh, mas o tempo é cruel e com ele vem a lei da gravidade… (impossível não lembrar essa piada infame). E quando o inverno da vida se abater sobre corpos sarados, onde irá parar toda essa apologia ao sexo, se nada foi construído em bases mais sólidas e duradouras?

Caramba, e frente a isso tudo, onde eu fico? Será que virarei um ser desprovido de sentimentos? E minha libido, onde fica?

Nem homem, nem mulher. Nem amor, nem sexo. Nada. É tudo que me resta, será? Ah, o amor, sublime e confundido, acabou sendo esquecido…

Paralelo a isso que já foi mencionado, corre outro questionamento: Por que o dedo em riste a nossa frente é tão acusador e sem piedade que chega-nos a esmagar, levando-nos ao assombro da indignação humana e/ou ao adormecimento de toda e qualquer atividade cerebral? E parece que tudo a sua volta parou e nesse instante é você de frente com você mesmo e com as expectativas dos outros… Não hesite, o melhor é ser espelho! Mesmo que por hora a imagem refletida seja gorda e deformada aos olhos de quem a veja, mas tenha a firme convicção de que é um estado transitório, e que o seu querer o levará muito além desses confrontos…

Nem sempre ser gordo é ser doente. Nem sempre ser sarado é ser saudável… Um caso a ser re-pensado! No momento sigo malhando, apenas, os neurônios…

Por último, como se isso tivesse um fim, posto que seja apenas o início, pergunto… Por que precisamos provar e/ou convencer os outros de que somos capazes de gerir nossa própria vida independentemente dos tropeços, barreiras e/ou quedas com as quais nos deparamos ao longo do percurso?

Ninguém é perfeito e todos nós temos uma história de vida que nos ajuda a contar o passado e a vislumbrar um futuro… O presente é pra ser vivido. É o instante dos ajustes, dos encontros e dos reencontros… É ser feliz!

E como diria minha avó… E volta a vaca pro brejo! Mesmo não querendo lembrar, não me esqueço da tal “química visual”!  Não agradamos aos olhos de quem nos vê… Gordinho sofre! Triste, não?

No meio de tantas químicas, haveria uma química espiritual, será? Gostaria tanto de acreditar que essa energia flui entre almas que se buscam… Desse encontro seria acesa a velha e boa chama do amor, que se manteve intacto pela eternidade…  Aí sim, poderia dizer que um novo casal se fez presente. Quiçá pra eternidade! Percebe a diferença?

A verdade é que com ou sem química o meu encontro com o outro também se faz por meio dos olhos, pois são através deles que posso sentir, ver e vivenciar todas as emoções do ser humano… É a essência d’alma, é o espelho! Côncavo e/ou convexo em toda relação é necessário ter um, ou mais… Ou não?

O dedo pode estar em riste, mas a mão pode subvertê-lo… É com ela que escrevo, que navego pela net, e que acaricio… Haja tato pra tantas emoções… É uma questão de pele! Ih, voltei aos sentidos… Rs

E o que fazer com a audição, o paladar e o olfato? Que me ouça cantar as mais belas cantigas, pois a música aguçará os sentidos… E assim o levarei a navegar pelos afrodisíacos sabores e aromas do amor. Delícia…

A pergunta que não quer calar… Será que ainda o terei de convencê-lo que posso vir a ser uma pessoa desejável pra se namorar?

 É o livre-arbítrio… Faça-o valer a pena!

 Eu faço a minha parte…

E você, faz o quê?